Há no meu corpo...


     Há no meu corpo, um poema...um poema ainda por ler...um poema que deve ser lido com a ponta dos dedos, com a ponta da língua...para ser ler lido em pontas.
Existe um querer, ainda por querer...uma história sem principio nem fim...no meu corpo existe a noite que teima em ser dia...uma madrugada que se esconde num fim de tarde.
Há uma pressa embrulhada em calmaria, porque aprendi que a espera é apenas e só um esquecimento do tempo e ele tem o direito, de se esquecer de vez em quando e que posso sempre lembrá-lo.
    Existe uma voz na minha pele, uma voz gritante que o silêncio engole, para que só quem quero a escute...para quem só eu deseje a oiça...
   No meu corpo que é feito de labirintos, existe atalhos, em forma de palavras, que hoje já ninguém as sabe dizer...daquelas que já caíram em desuso e que estão guardadas como mausoléus no dicionários do ridículo.
   Existe algures entre as minhas células a palavra amor, que se desfragmenta e me contamina o sangue, com sonhos que me fazem ambicionar o que está por vir...o que virá depois...o horizonte...o mais...o tudo que me falta...ou o tudo que já me sobra.

*** @rt ***     

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