Foder(me) contigo...


    Tu que já me convidaste para amar...para nos amarmos...de corpo e de alma, hoje ofereces-me sexo.
sabendo que não sou de sexo...que posso até, quem sabe vir a ser, mas ainda não sou e se o for algum dia não o serei contigo. 
    Porque contigo, eu fui amor...e foi a única coisa que quis ser, porque se quisesse ter sido qualquer outra coisa teria-o sido.
   O meu corpo pode sentir a tua falta, porque tem quilómetros das tuas mãos nele, posso na boca ainda guardar o teu último beijo, como se fosse a coisa mais preciosa do mundo, e as minhas entranhas sentirem o vazio do espaço que foi teu...mas em toda e extensão da minha saudade, que é muita, porque te fiz em mim, muitas noites e muitos dias, não cabe a vontade de ir foder(me) contigo.
   Prefiro a solidão da ausência que o teu corpo deixa no meu, à multidão de sensações que me queres oferecer em que a alma fica à porta, como eu fiquei naquele dia, em com o coração nas mãos te procurei...para te dizer que te amava. Para te dizer o quanto eras e sempre foste importante na minha vida, para te pedir desculpa pelo meu desnorte, para te dizer que o teu sofrimento não me era indiferente, que eu sei que devia ter sido mais do que fui, mas que não consegui ser, porque a vida me falhava mais uma vez.
  Engoli o meu orgulho...engoli-o em seco e quando dali sai da tua porta, sem que me a tivesses aberto, deixei a minha alma ali naquele bocado de parede, onde me encostei a chorar...antes de ter forças para tirar o meu corpo.
   Mandaste-me embora como um cão sarnento, eu que te amei mais do que alguma vez pensei amar alguém e hoje queres voltar a abrir a tua cama à puta que julgas haver em mim...depois de teres fechado a vida à mulher que dizias amar.
Sabes, se um dia a ti voltar...não será pelo corpo...será porque olhos nos olhos nos saberemos perdoar...saberemos pedir desculpa...saberemos voltar a respeitar-nos do jeito que um dia foi...

*** @rt ***
  

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