Num mundo de trocas fáceis, eu...sou daquelas que afirma convictamente...

"Muitos podem sentar-se na tua cadeira, mas nenhum pode substituir o teu lugar"

*** @rt ***

Amar em tempo de guerra...deixando um pouco de parte este azedo que me amarga a boca e me vai condicionando os dias, quero-me hoje a untar os lábios, com aquilo, sobre o qual nada sei, mas que gosto de falar, o Amor. Não sobre o que sinto, ou não sinto...mas sobre aquele que vejo pontualmente aqui e acolá e que de alguma forma serve de inspiração à minha alma e se reporta para a minha escrita simplista, de quem gosta de se rabiscar, como forma de colmatar este vazio impreenchível que desde sempre existiu em mim...Sou estranhamente solitária, apesar de me julgarem uma mulher de multidões. 
Hoje dei comigo a pensar, como estarão a viver aqueles que pela força do momento, estão apartados de carne, mas que continuam presos de coração...talvez a ausência da presença lhes doa, porque doi sempre convenhamos,  nada substitui o toque, o cheiro e o sabor de quem se ama...por mais que a vida evolua, é no contacto pele na pele que o amor ganha a sua expressão maior. Acredito que para os que se amam os dias sejam ainda mais difíceis do que para os outros. Porque mais um medo se lhes acresce e existe toda uma saudade lhes vais reduzindo as forças.
Não é fácil amar em tempo de guerra, mas quero acreditar que em tempo de guerra ainda se continuo a amar, ainda se continuo a querer o outro mais ainda do que em tempo de paz.
Estes seres maravilhosos, que um dia por sorte ou saber, escolheram o amor como casa, estão a aprender outra forma de o fazerem nos corpos...e quem sabe seja isto que lhes vai garantir a eternidade dentro um do outro.
Talvez existam males que venham por bem...quem sabe...e que o amor nos salve ou então que nos condene de vez.

*** @rt ***
"Estamos todos no mesmo barco...", esta é a frase cliché que mais leio e mais oiço nos últimos tempos. Peço imensa desculpa, mas não estamos não, podemos estar no mesmo mar, isso sim, mas em embarcações diferentes.
Uns estão em autênticos iates de luxo e outros, porque existem sempre os outros, os desgraçados, os miseráveis para os quais a vida ainda não ousou esboçar um singelo sorriso que seja, esses estão em alto mar, mas agarrados ao pau, como sempre, tentando a todo o custo se manter à tona e a rogar para que o vento deles não se esqueça.
Quando a sombra da morte, que a todos cobre, neste momento se dissipar, os que privaram do conforto dos seus castelos flutuantes e da segurança dos seus bolsos, sairão a acenar ao mundo, chamuscados pelo medo é certo, mas retomarão de onde os mandaram parar e em pouco tempo esquecerão as baboseiras que o cagaço as fez proferir, para tentar extorquir deste Deus que alguns inventaram às pressas, um adiamento ao purgatório.
Por outro lado, os que agarrados ao barrote estiveram, e com forças sub-humanas ainda respirarão, mesmo que em câmara lenta, entrarão inferno adentro, sem sequer conseguirem limpar os pés. Estes, meus amigos, retomam a vida, não onde os mandaram parar não, estes...estarão bem lá atrás, onde o diabo perdeu as botas. Chegam desta guerra invisível, a maior parte carbonizados, reduzidos a pó, aquele que a sociedade vai querer sacudir de cima das costas.  
Para estes...ai para estes a guerra continuará, desta feita bem perceptível e alguns infelizmente vão desejar ter morrido às mãos do antigo inimigo do que viver enforcados a este novo.

*** @rt ***
 
Oh gente dum caralho...oh estes caralhos de gente...nunca vi tantos a ter medo de morrer, quando nem nascer dentro de si mesmos ainda o fizeram...julgam-se vivos porque um dia alguem os pariu e existe uma data a comprová-lo apenas e só. Porque de resto, bom de resto arrastam os seus cadáveres respirantes no imenso vazio que até por favor os preenche.
Esta gente, que são muitos, dividem-se em dois grupos distintos, os que andam por ver andar os outros ou andam para se fazerem ver e acham que a esta proeza se chama vida.  E isto é tão verdade, que face a uma realidade mais ferida, como esta dos dias de hoje, em que a roleta da sorte não pára, simplesmente borram-se todos e como se isso não chegasse fazem o obsequeio de contaminar o ar, daqueles que com mais ou menos serenidade porem conscientes, respeitam-se e muito mais sabem respeitar, inclusivé os chiliques histéricos destes defecadores que descobriram agora que sim existe morte depois da vida. 
Muito se fala de quarentena, sim senhor, que se faça o que for preciso, até que se obrigue se fôr o caso, valores mais altos se levantam, mas por favor...em quarentena estão alguns desde que abriram os olhos, porque se limitaram a olhar mas temeram sempre o ver.
Se por um acaso, quando tudo isto terminar e espero que em muito em breve o seja, para bem da humanidade em geral, alguns passarem de verdade a viver ou melhor dizendo a viverem-se, porem não sei se não morrerão eles subitamente, porque quem saboreou a vida de verdade  na sua plenitude, sem filtros e sem sombreados, sabe que ela por vezes é veneno e estes agora nascidos a ferros, talvez já não irão a horas de produzir o antídoto da sobrevivência. 

*** @rt ***